A eleição ainda não terminou. Teremos segundo turno na corrida presidencial quando escolheremos José Serra ou Dilma Rousseff
. Ainda bem porque é uma oportunidade para redefinirmos nossos critérios, nossas razões, prestando mais atenção nas potencialidades de cada candidato e em suas propostas.
Embora não tenha sido inteiramente concluído, o processo eleitoral deste ano permite, no entanto, uma avaliação e um questionamento sobre a postura, o espírito e os critérios que os eleitores utilizam para fazer escolhas, muitos não levando em conta que os escolhidos vão votar ou executar projetos que podem melhorar ou arruinar as nossas vidas. Será mesmo que pior não poderia ficar, como pregou durante a campanha o candidato à Câmara Federal mais votado por São Paulo.
Deboche, protesto, descontentamento, o que quer tenha motivado mais de 1,3 milhão de eleitores a dar uma cadeira ao palhaço Tiririca, o fato é de uma irresponsabilidade inominável, uma palhaçada. Assim, é mesmo difícil prever melhores dias para o país. Eleições são oportunidades para que busquemos mudanças justamente pela escolha de lideranças capacitadas, com um histórico de defesa dos interesses coletivos e de ética.
O fato de uma pessoa ser popular em áreas como a esportiva, a artística, da mídia, não lhe confere competência no campo político. O mesmo comentário vale para outros eleitos, entre os quais os jogadores Romário e Bebeto. É torcer para que acertem. Mas é como dar um chute de gol a gol.
É uma pena quando vemos quantos e quão complexos desafios pela frente, em todas as esferas, trabalho árduo, reformas por fazer, pautas e decisões aguardando análise e decisões.
Igualmente desanimador é ver que o eleitorado não procurou se inteirar também de sujeiras que envolviam alguns candidatos, infelizmente reeleitos. É como se nada tivesse acontecido de errado, por exemplo, na Assembléia Legislativa do Paraná denunciada por desvios de verbas, diários secretos e contratações de funcionários fantasmas que somadas as irregularidades atingem cerca de R$ 100 milhões, verba que deveria ser investida em projetos sociais, de educação e de segurança do governo do estado.
Da parte que nos cabe como eleitores, muito temos que amadurecer. A falta de renovação de políticos corruptos tem nos custado muito caro, o subdesenvolvimento.